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Crônicas do cotidiano: "Vira, vira. Virou!"

  • Walmir de Albuquerque Barbosa
  • 4 de fev. de 2022
  • 3 min de leitura

O terroir português ainda produz cravos, vermelhos e encorpados como flores (quem sabe?), dignos de ornarem a fronte eterna de Rosa Luxemburgo (1871-1919) e o ideário da social-democracia na práxis política da atualidade. A política, também, produz sofrimentos, mas enebria e regala o peito ao produzir equidade, justiça e respeito. Esses deveriam ser os seus pressupostos e finalidades inarredáveis, porém o mundo é essa roda viva e o ser humano, essa coisa boa e às vezes tenebrosa ao contaminar-se com a maldade, que detona tudo em nome de cada coisa que não faz o menor sentido, a não ser para os poderosos. Sobretudo, quando falamos da construção de um mundo melhor.


O negacionismo nos espreita em cada esquina. Reacionários, com o dedo em riste, acusam os que divergem deles de subversivos. Dedos ágeis de sacripantas e robôs do mal difundem injúrias, mentiras e medo pelas redes sociais, amealhando tolos, crentes nas facilidades da vida, compradores de terreno no céu que se tornam parte de um rebanho tocado por insanos. Sim! Estamos a falar de uma outra parte, ou até mesmo de outras partes, que se recusam a ser parte, porque ambicionam ser o todo. É aí que mora o problema.


Essas partes apontam o dedo e querem ser as guardiãs dos privilégios. A ultradireita quer ser a tutora moral dos bons costumes, cheia de “homens de bem”, mais que os outros. A extrema esquerda, presunçosa, é dona de outras verdades. A luta travada há séculos tem sido no sentido de criar práticas de vida e formas de combater, pelo esclarecimento e pela resistência, todos os instrumentos e instituições criados para garantir a dominação. Em princípio, mantidos pela violência, depois pela submissão a princípios morais, religiosos ou políticos ideológicos, todos visando manter os bens materiais de minorias, a riqueza ou o domínio absoluto do poder. Portanto, essas partes têm pedigree, são poderosas, gostam de mandar! Organizam-se em partidos, alguns dos quais, adotam até em suas nominações a Social-Democracia para falsear seus propósitos.


Não cabe teorizar aqui, mas o processo civilizatório a que nos submetemos tem como marca a superação dessa dominação exagerada e, há cada momento histórico, tomou configuração diferente, gerando diferentes processos de luta. O capitalismo, enquanto modo de produção, gestou e moldou a nossa modernidade. Garantiu a supremacia dos ricos e gerou outros mais ricos, dominando os processos produtivos e organizando em seu proveito as forças de produção, incluindo a exploração do trabalho humano que, na análise marxiana do modo de produção capitalista, tem como objetivo finalístico a geração da mais-valia, com garantia de perpetuidade, se não for contido pela organização dos oprimidos para a luta de classes.


Das primeiras greves nos Estados Unidos e na Europa aos confrontos políticos ideológicos das Barricadas, Comuna de Paris e outros embates, ainda no século XIX, todo o século XX foi marcado por lutas entre o capital e o trabalho, entre as classes trabalhadoras e as classes dominantes. Em um desses confrontos, em 15 de janeiro de 1919, Rosa Luxemburgo foi fuzilada por partidários da direita alemã e seu corpo, meses depois, encontrado num rio.


As ideologias operam e estruturam realidades às vezes intoleráveis e, por serem assim, alimentam novos combates e novas ideologias. O ideário da social-democracia, como o de todas as ideologias, com todos os prós e contras, têm trazido resultados alentadores com relação à superação das desigualdades, melhorias nas relações entre capital e trabalho, garantias democráticas de liberdade e respeito às diferenças; e uma oposição histórica ao dirigismo dos partidos de pensamento único, que ainda se arvoram no direito de aniquilar as partes para apossarem-se do todo.

Autor: Dr. Walmir de Albuquerque Barbosa Jornalista Profissional. Professor Emérito e ex-reitor da Universidade Federal do Amazonas. Manaus (AM), 4/2/2022. *Toda sexta-feira publica no site EPCC suas Crônicas do cotidiano. Confira na obra" Trajetórias culturais e arranjos midiáticos" (2021) seu capítulo "Comunicação, Cultura e Informação: um certo curso de jornalismo e vozes caladas na Amazônia". Veja, também, sua entrevista no Programa Comunicação em Movimento 09 do grupo de pesquisa EMERGE- https://www.youtube.com/watch?v=kpu-HtV6Jws





 
 
 

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